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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ainda estamos assim.

Sim! AINDA ESTAMOS AQUI, apesar de tudo
Ainda somos os mesmos nordestinos sedentos,
Os candangos, lembram? Aqueles de Brasília!
Ainda emigramos buscando  outros eventos

Sim! AINDA ESTAMOS AQUI, queimados de sol
Na labuta diária da lavoura como fosse oração
Queimando os pés, o rosto, as mãos, mas firmes
Porque nossa força vem da alma, vem do coração

Estamos aqui, AINDA ESTAMOS AQUI, vejam,
Muitos de nós quase sem comer, Isso ninguém vê
Tiram de nós, pobres, e satisfazem mórbidas vaidades 
Trocam o pão por tapetes vermelhos da tal Rouanet

LUZ, CAMERA, AÇÃO, abrem-se ornados palcos
Correm atrás de prêmios, desfilam em ricos tapetes
Vestidos de caros tecidos, os olhos nos seus umbigos 
Não sentem fome, na verdade, pisam os mendigos

Mas ... AINDA ESTAMOS AQUI, isso desde muito
Desde quando trocaram as encenações por verdades
Desde quando ricos artistas e medíocres humanos
Na podridão de seus egos se pensam celebridades

Sim! AINDA ESTAMOS AQUI, Pra vocês, ninguém.. 
Que lhes importa se amanhã tem café, se vamos comer?
 que é o pobre faminto ante o glamour dos holofotes
Afinal, os desuses se alimentam do manjar ROUANET

José João
08/06/2.026

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