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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brincando de fazer lágrimas





Ontem brinquei de fazer lágrimas,
Fiz lágrimas de solidão, lágrimas de saudade,
Lágrimas de tristezas, fiz até lágrimas sorridentes,
Estas pelas lembranças de amores vividos,
Sentidos, amores que me fizeram sorrir.
Brincar de fazer lágrimas é brincar diferente
Quase todos fazem as lágrimas iguais
Fazem as mesmas lágrimas para qualquer dor
Eu não, minhas lágrimas sabem seus motivos.
Enquanto muitos sofrem para fazer suas lágrimas
Eu brinco de faze-las, assim como um artesão
Que transforma com as mãos o pensamento em beleza
Que é vista com os olhos, eu transformo minha dor
Na beleza reluzente dos meus próprios olhos
Quando neles as lágrima saem efusivas
Na quantidade certa da emoção que minha alma sente
Minhas lágrimas saem por felicidade, rarissimas vezes,
Por tristezas, solidão, saudades, até por sonhos
Que não sonhei, saem por dores alheias
Saem até por dores que nunca imaginei.
Quase sempre brinco de fazer lágrimas, muitas lágrimas
Por dores sentidas, ou por dores que nunca chorei.
Fazer lágrimas é brincar de brincar diferente
Fazer lágrimas é como brincar de ser gente.


José João





terça-feira, 9 de agosto de 2011

Zelo





Te guardo dentro de mim com tanto carinho
Que por vezes te percebo comodamente dormindo,
Nem respiro para não te despertar o sono,
Até te faço belo sonhos e te canto hinos
Que os anjo me ensinaram para poder te ninar.
Te guardo como flor, bela e frágil
E até não permito, embora precises, talvez,
Que borboletas te pousem nas pétalas,
Suguem teu nectar, como a te beijar,
Meu amor egoísta grita: Este nectar é meu.
Trancei, paciente, cordas de nuvens,
Depois as tingi cor do ocaso, sol poente,
Fiz assim uma rêde, tão fina e tão leve
Que a mais leve brisa te embala sorrindo.
Sussurrando canções que ensinei o vento cantar.
Te guardo dentro de mim com tanto carinho
Que até pedi para o meu coração bater de mansinho
Caso  queiras, deitada em meu peito, dormir e sonhar.
E a noite? Quando velo teu sono? Dormes sorrindo.
E um raio de luar mais ousado, pela janela entrando
Te cubro depressa por que esse corpo só eu posso olhar.
Ah! Como te guardo dentro de mim!
É tanto  meu zelo que deitei o arco-iris
Por onde  passas para que não sujes os pés
É tanto meu amor, querida, que tudo isto ainda é pouco.


José João

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Demência ou loucura?





Quero andar no universo buscando mundos
Ou quem sabe procurando por mim mesmo?
Num universo que não grita, seus lábios mudos
Fazem a mim e a alma pensarmos: Seremos  surdos?


Voo entre estrelas traçando perdidas rotas
Com os cometas percorro vias desconhecidas
Vejo galaxias moribundas e outras até já mortas
Que nem viveram para poderem ser esquecidas


Vou entre largos e  profundos rios de lavas quentes
Num vazio espaço que nem sei se espaço é
Como se corpo e alma em mim fosssem dementes


Fazendo, por força estranha, aquilo que não se quer 
E os gritos de lábios mudos num silêncio de inocentes
Se confundem com os pesadelos de mentes assim doentes


José João

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eu sou uma poesia e ...






Bem melhor que teu coração não me tivese criado.
Bem melhor que tua alma me tivesse abortado,
Que me deixasses no vazio do espaço
Ou até mesmo perdida no tempo.
Que me deixasses adormecida dentro
De teu próprio pensamento.
Porquê foste me buscar de dentro de ti
E me atiras ao mundo ante ouvidos
Que não ouvem e paredes que me sufocam?
Sou inocente. Não sou ré.
Nasci para ser livre nos corações,
Não nasci para ser julgada,
Não há crime em ser inocente.
Sou a essência de um sentimento puro
Que viaja de coração em coração
Despertando em cada um a flor
Que nele há de habitar, mas adormecida
Precisa que lhe desperte para viver
Intensamente os momentos inesqueciveis
Por terem sido eternos em cada um.
Por favor não me esconde, mas também
Não me expõe a julgamentos nos quais
Lêm as palavras que me formam
Mas não sentem a ternura do sentimento
Que me faz ser a vida da própria vida.
Me entrega toda, me desvassa ao mundo,
Me faz de promiscua por que é preciso.
Não sei ser de apenas um, pois sou do mundo,
Me entrego nua e sem pudor mas minha
Inocência  me cobre com a pureza
Do nascer dos lirios como se eu fosse...Única.
Te permito que me atires ao tempo,
Te permito que me atires ao mundo,
Permito até que cada um me sinta sua
Como pedaço de sua vida ou de sua alma,
Permito tudo que me leve a fazer
Sorrir um coração triste ou que faça
Chorar um coração de pedra.
Só não te permito o constrangimento
De me levares a julgamento.
Se não sabes... Eu sou uma poesia.


José João

sábado, 23 de julho de 2011

Sou apenas... gente

 

Ontem estive correndo entre sonhos e desejos,
Entre espaços vazios, perdidos no nada,
Onde a alma, tambem por nada sentir,
Se fazia eco de um silêncio tão profundo
Que o próprio silêncio chorava ao se ouvir.
Corri entre dores passadas, tristezas vividas,
Entre pesadelos sombrios por dores parídas
Por perdas tão duras, tão nuas, tão cruas
Que o tempo, por pena da alma, lhe lambia as feridas,
Mas para a alma, coitada, a dor era tanta
Que  fazia o próprio tempo, no tempo parar
Como se a eternidade se fizesse tão pouco
Para que tanta dor pudesse passar.
Corri entre noites, estrelas, cometas e luas
Me fiz de inocente,  gritando blasfêmias,
Voei nú no espaço como estrela cadente
Cantando loucuras como se fosse indecente,
Eu? Inocente!!?  Eu?  Indecente!!?
Eu? Gritando loucuras!!? Gritando blasfêmias !!?
Talvez até... Talvez... por que sou tão pouco
Sou tão pequeno... sou apenas gente.


José João



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Preciso de ti





Não te quero apenas. Preciso de ti.
Preciso me inundar em teu querer,
Me tomar de mim e todo a ti me entregar,
Me despir e me vestir de ti.
Ousar desnudar minha alma em tua frente,
Deixá-la cativa aos teus sentidos
E meu corpo... cativo aos teus desejos
Como se de mim eu fosse minha menor parte
E tu a melhor e maior parte de mim.
Sentir tuas vontades todas minhas
E te deixar ficar comodamente dentro de mim.
Não te quero apenas como mulher
Mas como meu universo essencial e único,
Como a melhor essência da vida.
Entraste no meu mais intimo pedaço
E de dentro dele me fizeste homem,
Um homem que fortificaste ao ensina-lo amar.
Tão suavemente soubeste te fazer caminho
E nele me deixas ternamente seguir,
Te fazes de minha estrada e horizonte,
Te percorro para chegar em ti.
Te vejo me guiando, mãos dadas e nós seguindo,
Ao mesmo tempo, te vejo me acenando para chegar,
Não há intervalo entre nós, vencemos a distância,
Me guias com a alma e me acenas com o corpo
O que ainda nos falta é por que agora
Ainda não é preciso, ou por tanto amor
Queiram fazer mais terno, sublime e belo
A doação de nossos corpos um ao outro.
..............    ....................   ..................   .............
Pena que o tempo não nos tenha permitido
                 SAUDADES


José João

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O livro e o jornal





Sobre a estante estava o livro
Páginas amarelas e mofo na capa
Mas estava ainda austero e viril
Como se do tempo fosse um mapa


De repente eis que chega o jornal
Em tantas quantas páginas dobrado
Olhou de soslaio para o livro,
Disse: Coitado, estás velho, alquebrado...


Continuando com ironia ainda disse:
Vê-me. Olha estou novo, sou do dia
E como tenho milhões de irmãos!!
Tenho pena livro, de tua agonia


Páginas amareladas pelo tempo
Entretanto com pouco manuseio,
Eu não, todos a mim querem ler
E me procuram no mundo com anseio


Sou procurados por todos nesta terra
Só os analfabetos a mim não podem ler
Sou um jornal, pobre e coitado livro
Mas a ti? Quem pode ti querer?


Vê minhas páginas, sou notícia atual
E quase todos têm o mesmo ritual
Sentados ou em pé, em qualquer lugar
Todos me querem ler. Eu, O jornal


O livro em repouso aparente
Calado, mudo, a tudo escutava
Pasmo como se fosse uma estátua
Ao jornal nada refutava


Continuava o jornal a dizer sarcastico
Livro que trazes de novo aí?
Ficaste mudo? Não és novidade?
Senta aos meus pés. Anda senta aqui.


Depois de tanto assim ouvir
Parece que o livro despertou
Lentamentte como a si espreguiçar
Olhou o jornal e falou:


Coitado de ti  pobre jornal
Todos o cultos é a mim que querem ler
Me guardam com muito carinho
Para que eterno eu possa ser


Não me compare contigo pobre infeliz
Tu. Todos os dias nasces como um aborto
Enquanto eu vivo eternamente
Amanhã já estarás morto.


José João

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Minha "vadia"






Para que pintá-la em quadros
E pendura-la numa parede fria
Se sua mais bela moldura
É uma cama?
Ela nasceu ali, e é ali
Que ela vive intensamente
Uma verdade que para muitas...
São apenas sonhos ou fantasias,
Ela se entrega totalmente ao momento,
À doação plena, total e absoluta.
Ela é única, uma vadia que faz um amor
Indecente, devasso, uma entrega que seria
Vulgar se não fosse com ela.
Pra que na cama dizer não?
Se seu corpo sedento, ávido
Pede sem palavras para possuí-lo
Sem reservas e sem segrêdos...
Ela sabe ser mulher e femea como ninguém,
Ela na cama é minha vadia,
Sua sede de gozo transcende o corpo
Pois a alma e o espírito se fundem com a carne.
Minha doce e querida vadia,  sem pudor,
Sem nãos, sem vergonha de dizer: Quero mais
Me entrego loucamente a  esses momentos
Cada um é único, é diferente, mais completo
E mais intenso. É a ordem crescente
Do desejo daquele corpo
Que me deixa extasiado, cansado, suado
E sempre me querendo mais.
Não pode existir mais ninguém
Ela é mulher mais que todas
MÃE como nenhuma ... e esposa...!!
Esposa mais que... perfeita.
Te amo.


José João

terça-feira, 12 de julho de 2011

Entre parenteses





Na mulher
Só olho a beleza do corpo
( Se suas pernas forem torneadas
 Assim como que esculpidas.
Se suas coxas grossas,
Macias e bem feitas
Forem como que pintadas.
Se seu sexo fosse desenhado
Pelo mais perspicaz arquiteto.
Se seu seios
Nem fartos, nem pequenos
Fossem como duas frutas
Nem verdes, nem maduras
E desprezassem a gravidade.
Se seus lábios forem como mel,
Assim como uma flor entreaberta,
Como se fosse um quadro
Do melhor pintor.
Se seus cabelos, de qualquer cor,
Cairem nos ombros como cascata
Cor da noite ou cor do sol.
Se seu andar for elegante, flutuante,
Assim como um flor leve
Ao sabor do vento)
Se sua alma for pura.


José João

A verdadeira beleza







Chamastes minha atenção
Assim como a de tantos outros,
És ... realmente bela.
Teu corpo harmonioso
De soberbas curvas.
Teus cabelos cor da noite,
Teu lábios carnudos e sensuais
Como se sempre estivessem ávidos
A uma carícia, a um beijo ousado.
Tua pernas ?!! Maravilhosamente torneadas
Como se por um artista esculpidas.
Difícil descrever a beleza de teu corpo,
Teus seios ponteagudos, rijos
Desafiando a gravidade dos deuses...
É isso ... pareces um sonho.
Não és comparável ao que existe
A não ser a uma flor,
Altiva, imponente e bela
Como se só ela existisse.
Ainda assim entre as duas
Difícil dizer a mais bela.
Mas querida, todo esse conjunto
Se perde no comum.
És como uma flor? És sim
Mas uma flor sem perfume
Como se dela só existisse o corpo
Que de tão bonito é tão pouco.
A essência, a alma da flor
Não é sua beleza frágil e passageira
È o seu perfume sutil.
Embriagador e inesquecível.


José João
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