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domingo, 25 de março de 2012

Paredes cinzas...





Paredes cinzas, paredes altas, paredes frias
Solidão gritante, tristeza constante,
Amor distante
Calor ausente, magoa presente,
Alma carente
Paredes cinzas, paredes altas,. paredes frias
Almas vagando, olhos chorando,
Saudade lembrando
Coração sozinho, peito sem carinho,
Lágrimas de fininho
Paredes cinzas, paredes altas, paredes frias
Sonhos correndo, dores vivendo,
Esperança morrendo
Dores de parto. gritos no quarto,
No quarto um retrato
Na parede cinza, na parede alta, na parede fria.


José João

quarta-feira, 21 de março de 2012

Não posso!





Como posso sentir alegria
Se da história sei o final
É a morte daquele homem
Daquela criança do sinal


Como posso me abrir em sorrisos
Ou mesmo ter alguma ilusão
Se em todo lugar onde passo
Vejo crianças pedindo pão?


-Moço por favor me escute
Não é esmola, é só um favor
Me dê um pedaço de pão!
E o carro acelera o... senhor


Na criança ficou a esperança
De outro carro agora um favor
Que seja alguém de bom coração
Que não seja igual ao outro senhor


A noite, ele com fome, se esconde
Vem o frio, lhe trazendo o torpor
Nascem nos céu douradas  estrelas
Que a criança, servem de cobertor


Coitada da pobre criança
Que é de a infância e da sorte?
Que é de a esperança da vida?
Se naquela vida só lhe resta a morte?


Ainda fazem das crianças
A esperança do Brasil
Mas dessas coitadas eu vejo
Triste como escrava servil


Não posso mais ficar calado
Sentindo em mim esta dor tão forte
Vendo a morte dessas crianças
Quer sejam do sul ou do norte.


José João

Como calar esse grito?





Calar?! Como calar esse grito?
Que explode de dentro do peito
Como chama ardente de furor que não cala,
Ou como ira latente que clama liberdade.
Na explosão de si mesma por ser preciso
Para não sucumbir de joelhos dobrados
Em orações não ouvidas por atoas homens,
Por nada perdidos, por nada eles serem.
Gritar a verdade mais crua por ser tão cruel
E dizer: Levanta e não pede!
Se estendes as mãos, te cospem no rosto.
Não te curves ante os reis da carne
De almas dementes a até mais carentes,
Que mesmo a tua. Levanta a fronte
E grita bem alto: Sou gente!
Não deixa que os homens te sufoquem
A vontade de ser mais, ser melhor.
Não deixa que teus sonhos fiquem bêbados,
Caídos na calçada dura dos teus receios.
Grita que os ratos são ratos, 
Que as gravatas são laços,
Pedaços de nada deitados num peito 
Que vaga sozinho, sem saber sequer de uma oração.
Grita, um grito atrevido, rebelde.
Grita que a loucura da gente
É razão aparente que as vezes se esconde
Tão dentro da gente que buscá-la é heroísmo.
Vai buscá-la, vence teus receios, teus temores.
Os covardes e os heróis andavam juntos,
Todos sentiam medo, todos correram,
Só que os heróis correram na busca do que descobrir.
Por tanto medo quiseram logo decidir
Pra não sentir mais medo amanhã.


José João





Não minta!






Expressar a raiva que me toma agora
É desperdiçar papel e tempo
Então me tomo de mim e da ira
E vou buscar sonhos de conquistas
Indo em busca dos covardes para vencê-los,
Procurando inúteis demagogos para puni-los.
Procurar vis homicidas para banhá-los
No próprio sangue e fazê-los sentir
A dor da perda que tanto já fizeram sentir.
Expressar a raiva como se fosse vingança
É desperdiçar o pensamento
Mas buscaria, de bom grado, os ratos,
Os vermes burgueses que fabricam a fome, 
E os enforcaria nas próprias gravatas de seda,
Ou nos cadarços dos sapatos
Comprados pelo preço do sangue 
Que tantos derramam sem poder lutar.
Buscaria os colarinhos brancos
Que desfilam suas limousines douradas
Fumando charutos cubanos
E os faria vomitar suas vísceras podres.
Não é raiva nem vingança, apenas um sonho
Um sonho de conquista, de prazer,
Talvez me chamem de violento, insensível
Mas qual a diferença entre mim e você?
É que você não diz o que quer fazer
Talvez por medo de você mesmo
Ou ainda por medo do que diriam, 
Mas na verdade você quer o mesmo...
Não minta!


José João

domingo, 18 de março de 2012

Pobres homens





Pobres homens que de humanos se fazem
Mas buscam no nada suas próprias raízes
Perdidos no espaço suas dores maldizem
E dela, a dor, choram suas tantas matizes


Primitivos seres, estúpidos por tão vaidosos
Num orgulho evidente de espíritos pobres
No fundo são animais medrosos, covardes
Desprovido que são da força dos nobres


Ralé, elite da podre escória, lixo do universo
Experiência panspérmica de genes amorfos
A Deus não buscam, imbecis fazem o inverso
Por serem produto de um satânico aborto


Pobres homens perdidos no caos que eles criaram
Mentes perdidas, malignas, satânicos seres doentes
Que fazem da vida malditas conquistas e até geraram
Mentes atrofiadas em outros pobres homens dementes


Que tempo haverá ainda para que encontrem
Almas nessa coitada raça de há muito perdida
Que a justiça um dia, mesmo a chorar, enfrentem
E que a dor seja tanta quanto toda maldade parida.


            .......................................................


Para aqueles que se vestem como homem
mas são verdadeiros satanazes.


José João

Dez créditos



Demo crática, cracia decadente.
Decrescente decrescida.
Crescida apologia da mente
Que mente por demência
Ou demagogia indecente
Em decente povo que sente
Sentado no cadafalso
Que cada falso domina
Dor mina do castrador
Que não castra dor nem pavor
Matadores inconvertidos
Pervertidos não mata dores
Sentidas, paridas, doidas
Vividas em sangue verde-amarelo
De vermelho anêmico brasileiro
De hipertensão sem saleiro
Sem sal, sem panela, com fome
De fome e dinheiro
Senado sem nada se nado
Cansado em atro senado gretado
Um dia sonhado não atrofiado
Em lambido tapete, carpete
Topete, rolete, lembrete
Da criança sem leite
Lambada, lambança, paulada
Na dança do cobra a cobrança.
Do povo esperança
Não ter mais matança
Que chegue a bonança
Que viva a criança
A ladra não ladra o latido
Do cão que parece raposa
E tem um leão enorme e criado
A base de pão que à criança
Não chega na mão, morte perfeita
Por inanição, por ordem carrasca
Do faminto inveterado mandrião
Ou faminto mandrião inveterado
Expert escolado em vender
Ilusão a bobos da corte
Que se trocam por nada
E o povo? E o pobre?
Coitado! Que vida malvada...

José João

É preciso gritar!



As palavras saem risonhas, maliciosas
Emprenhando ouvidos inocentes
Com promessas descabidas e vãs,
Levantam-se as mãos espalmadas
como juramento solene em palavras
Fluentes de orações mercenárias,
Estendidas, esquecidas e não cobradas.
Perda de tempo, jamais serão pagas.
Sentam-se em confortáveis poltronas.
Sultões do poder, do não fazer,
do barganhar. Sultões do não ser,
Brincam de leis, brincam de povo.
Constituem sem constituir o que
deveria ser constituído, e se dizem
constituintes, se nem ao menos
São constituintes. E jamais inadimplentes.
Não compram, ganham.
Não fazem, mandam.
Pensamentos doentes, vontades dormentes,
Comportamento indecente.
Marajás, moral decadente.
O povo só luta, o povo só, luta também,
mas cai, chora, só-luça, morre, quase ninguém.
Não canto, não choro, só vivo.
Como tantos outros, só vivo.
Se pode lutar, por isso querem matar,
Tirando a honra de quem 
não tem onde trabalhar.
Quem dera falte ao homem força,
pra não poder aplaudir.
Quem dera sobre  ao povo força,
pra poder não ouvir e ser o poder.
A inercia tomou conta de todos.
O calar é ser um sábio morto.
Mas o falar e não ser ouvido,
é ser morto também. Todos estão mortos,
mudos, se movem como zumbis.
Obedecemos como fantoches.
O silêncio nem sempre é inteligente,
Como nem sempre o gritar é heroísmo.
Como nem sempre o chorar é covardia.
É melhor errar fazendo, que não tentar fazer.
Mas se ao tentar fazer, o povo explode, 
alguns serão heróis, então é melhor não votar.
É melhor não voltar, é melhor soltar...
Soltar a voz e gritar: FORA!

José João




quarta-feira, 14 de março de 2012

Os senadores dos tupiniquins





Neste concurso para  preenchimento  de vagas no nosso, cívico, glorioso, probo,
honesto, decente, casto, integro, virtuoso, honrado, pudico, sério, digno e integro
senado,  o  tema  da  redação  foi:  O que  é  ser  tupiniquim. Nesse  nosso  atual 
contexto de Brasil me vieram duas conjecturas, uma foi: Será que os guardiães da
Carta Magna do Brasil querem brincar com o povo numa ironia até  mesmo cruel
ou, quem sabe, isto  seja  uma  graça divina  para alertar o povo sobre o que eles
querem que  sejamos?  Sei que não tiveram respostas a altura, ainda mais por que
ali estava o futuro de alguns.
Mas vamos ao que é ser Tupiniquim. Grupo de  indígenas  que  pertencem à tribo 
Tupi, habitando, atualmente, o norte do Espirito Santo, se  era esta a resposta que 
esperavam parabéns, mas ... será que eles os ...e quem elaborou estas provas são 
brasileiros?  Acho  que  esse  título  estava  apenas   fazendo   alusão   ao  sentido 
pejorativo, a que se dá atualmente a essa expressão num desrespeito inconteste  a
parte da origem do povo brasileiro, consequentemente ao próprio Brasil.
Vamos ver o que somos, se ser tupiniquim é:
01) Trabalhar quase cinco meses, apenas para pagar impostos e enriquecer 
       vagabundos.
02) Viver num país em que 80 bilhões de reais são roubados por ano.
03) Morar num país onde a lei só pune pobres e negros.
04) Viver num país em que o vencimento de professores é menor que o salário de 
       um recluso.
05) Ver um analfabeto ser membro da comissão de educação do congresso.
06) Ver a Acadêmia Brasileira de Letras homenagear um jogador que nunca leu 
       um livro.
07) Ver professores sendo agredidos por alunos em plena sala de aula.
08) Ver deputados rezando louvores por levar dinheiro roubado na cueca.
09) Ver uma Bunda ser  mais valiosa que um cientista.
10) Ver alguns imbecis brincando de casinha serem chamados de heróis.
Caros senhores  políticos  principalmente  do senado, se ser Tupiniquim é aceitar 
isto... Ganharam. Nós somos!


José João



sábado, 10 de março de 2012

Na rima da política





Fazer rima na politica é uma sacanagem
Mas fica fácil a rima só falar em bandidagem
Quem quiser rimar comigo é só o dedo levantar
O médio para cima e os outros  abaixar
E pra sacanear manda o politico se sentar


Olha a rima que dá senador com deputado
Prefeito como ladrão com dinheiro na cueca
A deputada gritando: Eu não uso essa merda
Onde escondo o dinheiro? Vou pra casa de lambreta
Ao que o amigo diz: Ora enfia na... olha a rima que dá...


Outro dia era a moda falar desse mensalão
Até um ministro botar dinheiro na caixa de papelão
Tudo isso é uma merda, é a maior putaria
Que diga aquele senador que dormia na sarjeta
Pediu perdão pra mulher comendo outra... olha a rima


Ainda tem el bigodon com a bunda cheia de sarna
Esse cara é um peste não se cansa de "ganhar"
Só não sei de onde é se do mara ou ama pá
O cara "rapa" tudo ele sabe como "mexer"
E o pior que ainda manda a gente ir se fudê


Mas não fico calado embora seja educado
A gente tem que reclamar de tanto levar no rabo
Minha consciência me manda seguir um  outro perfil
Respeitar  os mais velhos, mas como aqui no Brasil ?
Se o que quero é mandar politico para a puta que pariu.


José João

A doce moribunda





Vai morrendo, lentamente, a poesia nos corações
Ninguém mais tem tempo de amar, nem de sonhar
E assim a poesia sem ser escrita, sem ser lida
Vai pouco a pouco se apagando como nuvem esfalecida


E ela, coitada, se agarra nos sonhos dos poucos poetas
Que choram suas dores ou as dores alheias sem pensar,
Poetas que se entregam, pela poesia, à dor do pranto
Dando ao seu  velório as cores da tristeza de um canto


Adeus poesia, doce moribunda deste tão mundo vil
Vítima da tanta falta de amor de um mundo sem coração
Vai, mas leva contigo a saudade de um poeta como oração


Vai poesia este tão estranho e podre mundo já não te merece
Mas por onde fores, em qualquer mundo que te façam amores
Lembra deste poeta que por tanto te amar nunca de te esquece.


José João
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