Aqui nas redondeza todo mundo me cunhece
Sabe de minha fama, minha brabeza de sê
Se o cabra é valente, dô um berro ele imudece
Si num acriditar que venha aqui pra mode vê
Venha se fô valente, se num fô nois agradece
Meu nome já isquici me chamo de Cospe Fogo
Nasci no meio dessas brenha, sou filho do serrado
Nessa vida nada injeito, nunca vivi um sufoco
Sou macho, até ingulo vrido, pra briga tô preparado
E se piso nos meu pé, apanha sem tá amarrado
Pego garrote com as unha, mato sucuri nos dente
Mato uma onça só de tapa, boto Saci pra corrê
Quebro ispurão de arraia, pesco piranha a nado
Meu pirão é de pimenta com um óio de dendê,
Esfolo até queixada vivo pra sinti ele tremê
Outro dia aqui no rio, nos fundo de minha casa,
Um jacaré, duns quinze metro metro, bicho bruto
Assombrando todo mundo, toda a população
Merguiei nesse rio, peguei esse jacaré nas mão
Hoje parece um gatinho, meu bicho de istimação
Um dia lá no forró do mata um esfola quato
Peguei oito cara nos tapa, tudo cum seus facão
Sem arma, eu me vali, só dos meu par de sapato,
Dava nesses cara, cada sapatada e pescussão
Qui os cara ficaro de coca fazendo xixi no chão
Não sou pescadô, também num sou caçadô
Cada linha dessa que falo é a mais pura verdade
Uma cascaver outro dia, do nada me atacô
Segurei a cabeça dela cuns dente tirei o chucaio
Butei ele atrás da porta pra mi servi de badalo.
Aqui todo mundo cunhece o famoso Cospe Fogo
Que arranca dente de onça usando faca e palito
- Cospe Fogo, vem cá seu infeliz, armardiçoado,
Vem logo peste, vem logo lavá essas panela
É a muié, discurpa gente se não fô eu tô lascado.
José João
23/02/2.016



