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domingo, 8 de janeiro de 2017

O Deus que o homem perdeu

O que mais há de crescer nesse mundo
Que recriaram? As plantas desenhadas,
Quando construídas, não balançam mais ao vento,
São fantasmas eretos, frios, sem alma, sem voz,
Até parecem pontiagudas lanças querendo ferir Deus.
Paredes mudas, pintadas de silêncio onde os sonhos
Morrem afogados na argamassa de frieza de cada um.
Os jardins estão cheios de flores mortas...
Foram plantadas em forma de cruz, em terra seca,
Molhada de lágrimas dos que agora, infelizmente,
Só desenham saudade nos rostos tristes e sem cor.
Por favor, me digam onde posso plantar flores?
Onde posso ouvir os pássaros em gorjeios livres
Cantarem um hino de paz que os homens esqueceram?
Me ensinem outra vez a ouvir o sorriso da criança,
Num inocente gargalhar, sem medo de que amanhã
Ela seja apenas uma semente plantada 
Onde nascerá outra cruz gritando muda, outra dor!
Sonhei com um andarilho batendo de porta em porta,
Mas ninguém lhe recebia, nem lhe ouvia, 
E Ele, cabisbaixo, mudo, com um alforje cheio
De sementes novas, seguia chorando, se perguntando
Em silêncio: Onde foi que Eu errei? Como qualquer
Pai, ao ver o filho perdido ir... a lugar nenhum.

José João
08/01/2.017


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